Uma das
pessoas importantes nesse processo de transformação que vivi em 2010, inclusive
exercendo um papel fundamental no levantamento da minha autoestima foi o
professor Marcos, quem sou muito agradecido pelo apoio, por me permitir
confidências, por guardar sigilo e por me empurrar para cima, e me resgatado.
Foi dele a frase enigmática em minha vida: “Seu Zé, o Sr é um homem ou um pé e couve?”...
Frase dita quando se aproximava o momento de viajar para conhecer Fátima e
ainda não tinha providenciado a passagem.
Eu
precisava tomar decisões drásticas em minha vida. Decisões que, aliás, já tinha
tomado internamente, mas que na prática ainda não tinham acontecido. Vivia uma
situação dramática economicamente, sem ter dinheiro para colocar comida em
casa, muito menos para os cachorros... Estava sob pressão da ex que queria
apenas se divertir, dizendo que jamais iria trabalhar e que eu “me virasse”
para sustentá-la. E as dívidas apenas aumentando. Via tudo negro pela frente,
estava no fundo do poço, faltando mesmo alguém que começasse a jogar terra
sobre mim. Estava praticamente morto.
Economicamente
mal, mal alimentado, cansado, estropiado, espiritualmente detonado. Comia
salsichas com miojo e rezava para ter comida na escola... Minhas aulas eram
arrastadas, sem motivação para viver.
E
aconteceu Fátima em minha vida, que chegou no momento certo, conduzida por Deus
para me resgatar. Sabia que ia encontrá-la, com dia e hora marcados. Mas não
sabia como...
Marcos
era o meu confidente. E a gente nem conversava muito devido a correria das
aulas. E ele me incentivava.
Viajei
no dia 09 de Julho de 2010, saí de casa com R$ 30,00 e uma mochila, com poucas
coisas. Como não tinha experiência de viagens aeras, já no aeroporto gastei
quase R$ 14,00 com um lanche. O voo foi para Brasília, com espera de 1 (uma) hora para conexão para
Recife. Cheguei na capital pernambucana por volta das 18hs. Cheguei com míseros
R$ 16,00 e sem a passagem de volta.
Fátima
estava lá, linda, sorridente, maravilhosa. Foi a primeira vez que nos vimos e
não nos decepcionamos. Eu mesmo estava flutuando... Fátima, com perspicácia
sugeriu que fôssemos de ônibus, uma vez que tinha parada ali mesmo no aeroporto
e parada muito próxima do seu apartamento. E assim fomos para casa.
Foram
momentos de sonhos, com muito amor e, principalmente com muito diálogo, afinal
de contas, adultos que somos, precisávamos nos conhecer, desnudarmos as nossas
almas, pois não tínhamos tempo a perder, como não temos tempo a perder.
E na
escola ninguém sabia do meu paradeiro... Marcos sabia e pressionado pela
diretora, contou a verdade. Mas eu já estava chegando de volta... Feliz da
vida.
José
Gonçalves dos Santos
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